Inteligência existencial: o que é, exemplos e por que ainda é só uma candidata

Inteligência existencial é a capacidade de levantar e refletir sobre as grandes perguntas da vida — por que existimos, o que significa a morte, o que dá sentido a uma vida. Howard Gardner a propôs como possível nona inteligência, e por isso ela costuma aparecer como “a nona inteligência”. Mas é uma candidata, não um membro da lista: Gardner nunca a admitiu formalmente, não existe teste para ela, e os motivos dele para hesitar são o que mais vale saber sobre o tema.

De onde vem a ideia

Gardner apresentou sete inteligências em Frames of Mind (1983). Cerca de doze anos depois começou a especular sobre uma nona, a existencial; em Intelligence Reframed (1999) acrescentou a inteligência naturalista como oitava e deixou a existencial como possibilidade. Ele a descreve como a capacidade de levantar e ponderar “grandes perguntas” — sobre o amor e o mal, a vida e a morte, a própria natureza da existência. A lista completa está no guia de tipos de inteligência.

Características e exemplos

Servem para ilustrar a definição, não para diagnosticar:

  • Fazer as perguntas últimas. Por que existe alguma coisa? O que acontece quando morremos? Uma vida precisa de propósito para valer a pena?
  • Ficar com a pergunta. Voltar a um problema sem resposta pronta em vez de abandoná-lo quando ele fica difícil — como faz Clarice Lispector, cuja obra é quase toda feita dessas perguntas.
  • Ver o quadro maior. Situar um fato do dia a dia dentro de uma vida inteira, de uma sociedade ou da história do universo.
  • Comparar respostas. Pesar o que filosofias, religiões e ciências dizem sobre a mesma pergunta.

Gardner observa que quase toda criança faz perguntas assim — “o que vai acontecer comigo?” —, mas que a maioria dos jovens se interessa mais por perguntar do que por pensar nas respostas possíveis.

Por que Gardner nunca a acrescentou

Gardner só admite uma inteligência se ela cumprir critérios que ele mesmo definiu, como uma base em sistemas identificáveis do cérebro. Num ensaio de 2020 ele citou três dúvidas e disse que a inteligência existencial continua “no limbo”:

  • Base cerebral pouco clara. Para as outras inteligências ele podia apontar sistemas cerebrais; para esta, não tinha certeza de que existam.
  • Talvez não seja universal. Ele se perguntou se ela existe em todas as sociedades ou só surgiu na cultura reflexiva que veio depois de Sócrates.
  • Talvez não seja separada. Pode ser uma mistura de outras: a linguística, a lógico-matemática e as pessoais (intrapessoal e interpessoal).

Em 2022 ele acrescentou que ela “pode muito bem” ser uma forma distinta de intelecto, mas que só a examinou informalmente. No ensaio de 2020, ligou a onda de interesse pelo tema à pandemia de COVID-19, quando muita gente teve mais tempo livre para pensar no sentido da vida e na morte.

Inteligência espiritual e testes

No Brasil, “inteligência espiritual” é buscada até mais do que “inteligência existencial” — mas, para Gardner, são coisas diferentes. A existencial não é em si uma capacidade religiosa: as grandes perguntas podem incluir temas religiosos, mas não precisam. Em 2000, uma edição do International Journal for the Psychology of Religion debateu a questão: o psicólogo Robert Emmons perguntou se a espiritualidade é uma inteligência; Gardner respondeu com um artigo chamado “A Case Against Spiritual Intelligence”; e John Mayer, um dos criadores do conceito de inteligência emocional, perguntou se “consciência espiritual” não seria a descrição melhor.

Também não existe teste validado. Gardner escreveu em 2020 que não oferece nenhum teste. O estudo mais direto da teoria (Visser, Ashton e Vernon, 2006, com 200 adultos) testou as oito inteligências admitidas e deixou esta de fora. Os quizzes on-line de “inteligência existencial” pontuam respostas, não uma capacidade estabelecida — e, por isso, não há dados sobre a relação dela com o QI. Se for uma mistura das inteligências linguística e lógica, que naquele estudo se mostraram fortemente ligadas à capacidade mental geral (o fator g), ela não seria independente do QI.

Profissões e como desenvolver

As listas costumam citar filósofo, teólogo, capelão ou pastor, escritor, orientador e professor de Filosofia ou de Ensino Religioso. São exemplos de trabalhos centrados em grandes perguntas, não resultados de pesquisa. Para desenvolver esse hábito: ler filosofia, discutir com quem pensa diferente e escrever a pergunta e a sua resposta atual. Pensar na morte e no sentido da vida é normal; se esses pensamentos se tornarem persistentes e angustiantes, vale conversar com um médico ou psicólogo.

Sobre esta página

Um teste de QI, inclusive o nosso, mede raciocínio com padrões, números e palavras — não a profundidade com que você pensa sobre a vida. Esta página resume fontes publicadas para informação geral: as posições de Gardner vêm dos ensaios dele de 2020 e 2022; o debate de 2000 é descrito pelos títulos publicados. Nada aqui avalia saúde mental. O teste do IQ Revealed é um teste on-line de raciocínio com 40 itens próprios para adultos a partir de 18 anos e não é uma avaliação clínica. O IQ Revealed não tem vínculo com Howard Gardner, o MI Oasis nem os demais pesquisadores, universidades, revistas e publicações citados.

Perguntas frequentes sobre inteligência existencial

O que é inteligência existencial?

Inteligência existencial é a capacidade de levantar e refletir sobre as grandes perguntas da vida — por que existimos, o que significa a morte, o que dá sentido a uma vida. Howard Gardner a propôs como possível nona inteligência da teoria das inteligências múltiplas, mas nunca a acrescentou oficialmente à lista.

A inteligência existencial é a nona inteligência?

É a candidata a nona, não uma inteligência aceita. Gardner começou a considerá-la em meados dos anos 1990; em 2020 escreveu que ela continua no limbo e, em 2022, que só a examinou informalmente. Por isso algumas fontes falam em oito inteligências e outras em nove.

Inteligência existencial é o mesmo que inteligência espiritual?

Não, segundo Gardner. Ele afirma que a inteligência existencial não é, em si, uma capacidade religiosa ou espiritual: as grandes perguntas podem incluir temas religiosos, mas não precisam. Em 2000 ele publicou um artigo intitulado “A Case Against Spiritual Intelligence”. Também não existe teste validado para ela.

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