Fator g (inteligência geral): o que é, Spearman, QI e o teste G-36
O fator g, ou inteligência geral, é o que pontuações em testes mentais muito diferentes têm em comum. Quem vai bem em vocabulário costuma ir bem também em quebra-cabeças lógicos, cálculo e memória. Charles Spearman observou isso em 1904 e chamou a parte comum de g. É um padrão estatístico que os testes de QI tentam estimar — não uma habilidade isolada que alguém tenha encontrado no cérebro.
De onde vem o fator g
Aplique uma dúzia de testes diferentes a um grupo grande e as notas se correlacionam: todas andam juntas, umas mais, outras menos, quase nunca em sentido contrário. É a chamada variedade positiva (positive manifold), que Kristóf Kovács e Andrew Conway descrevem como o resultado mais replicado da pesquisa sobre inteligência. A análise fatorial resume essa rede de correlações numa dimensão comum: o fator g.
No artigo de 1904, Spearman comparou notas escolares de crianças com testes sensoriais simples e concluiu que todos os ramos da atividade intelectual têm em comum uma função fundamental, ao lado de elementos específicos de cada tarefa — a futura teoria bifatorial: um fator geral (g) mais um fator específico (s) para cada teste.
O fator g nos testes usados no Brasil
No Brasil, o fator g tem até nome de teste. O G-36, de Efraim Rojas Boccalandro, publicado pela Vetor Editora, é um teste não verbal de matrizes cuja finalidade declarada é avaliar o fator g de inteligência; as normas atualizadas foram aprovadas pelo SATEPSI, o sistema do Conselho Federal de Psicologia, em 31/08/2018. É de venda restrita a psicólogos. O G-38, da mesma linha, serve de forma alternativa. Buscas como “teste g38” (cerca de 1.300 por mês) superam as do próprio “fator g”.
Cada tarefa se relaciona com o fator geral em grau diferente — a chamada carga g (g loading). Por isso um único tipo de tarefa estima g com menos precisão do que uma bateria completa com vários subtestes, cuja soma cancela boa parte do que é específico de cada um. Veja como funcionam os testes de QI.
Fator g, inteligência fluida e cristalizada
John Carroll reanalisou em 1993 mais de 460 conjuntos de dados e propôs um modelo hierárquico em três níveis: muitas habilidades específicas na base, algumas amplas no meio — como a inteligência fluida e cristalizada e o raciocínio espacial — e o fator geral no topo. Dois estudos liderados por Wendy Johnson compararam os fatores gerais de várias baterias diferentes; os títulos resumem o resultado: Just one g (2004) e Still just 1 g (2008).
O que o fator g prevê — e o que a escola muda
A capacidade mental geral está entre os melhores preditores de desempenho no trabalho, embora uma revisão de 2022 (Sackett e colegas) tenha reduzido as estimativas antigas em 0,10 a 0,20. A escolaridade aumenta o QI em cerca de 1 a 5 pontos por ano de estudo (meta-análise de 2018 com mais de 600 mil pessoas); porém, num estudo com 1.091 pessoas testadas aos 11 e aos 70 anos, esse ganho passou por habilidades específicas, não pelo g. Mais em como aumentar o QI e a inteligência é genética?.
Críticas
O padrão não está em disputa; a causa está. Han van der Maas e colegas (Universidade de Amsterdã, 2006) mostraram que a variedade positiva pode surgir de processos separados que se reforçam durante o desenvolvimento, sem um g único. Kovács e Conway (2016) propõem que os testes compartilham processos executivos, e que é essa sobreposição que produz o fator geral. E um único número deixa de fora capacidades que as pessoas valorizam — o argumento dos tipos de inteligência.
Escopo desta página
Esta página resume pesquisas publicadas em termos gerais. Nosso teste mede raciocínio, não fornece uma nota de fator g e não é um teste psicológico aprovado pelo SATEPSI nem substitui uma avaliação feita por psicólogo.
O IQ Revealed não tem vínculo, patrocínio ou relação com os pesquisadores, universidades, editoras, revistas, o Conselho Federal de Psicologia ou os testes citados. Os nomes aparecem apenas para identificar os trabalhos e instrumentos descritos.
Perguntas frequentes sobre o fator g
O que é o fator g, em poucas palavras?
Quem vai bem num tipo de teste mental tende a ir bem nos outros — vocabulário, raciocínio lógico, cálculo, memória. O fator g (de "geral") é o resumo estatístico do que todos esses testes têm em comum. Foi descrito por Charles Spearman em 1904 e é um padrão nas pontuações, não uma estrutura localizada no cérebro.
Fator g e QI são a mesma coisa?
Não, mas andam juntos. O fator g é estimado a partir das correlações entre muitos testes; o QI é a pontuação numa bateria específica. Um QI total, que soma vários subtestes, é a estimativa prática mais comum do fator g; um teste curto com um só tipo de tarefa o estima com menos precisão.
O que o teste G-36 tem a ver com o fator g?
O G-36, de Efraim Rojas Boccalandro (Vetor Editora), é um teste não verbal de matrizes cuja finalidade declarada pela editora é avaliar o fator g de inteligência. É um teste psicológico de venda restrita a psicólogos, aplicado e interpretado por profissionais. O G-38, da mesma linha, é usado como forma alternativa.
Dá para aumentar o fator g?
Não de forma comprovada. A escolaridade aumenta as pontuações de QI em cerca de 1 a 5 pontos por ano a mais de estudo, mas um estudo que acompanhou 1.091 pessoas dos 11 aos 70 anos encontrou esse ganho em habilidades específicas, não no fator g.
O que o nosso teste mede
Nosso teste de QI mede raciocínio; ele não dá uma nota separada de fator g e não substitui uma avaliação feita por psicólogo. Fazer o teste é gratuito; o relatório completo, com pontuação e percentil, faz parte da assinatura.
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