Inteligência naturalista: o que é, exemplos e se ela existe mesmo

Inteligência naturalista é a capacidade de reconhecer, diferenciar e classificar seres vivos — plantas, animais e outros elementos da natureza — e, por extensão, outros tipos de objetos. É a oitava inteligência da teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner. Não existe teste padronizado para ela, e o estudo que a testou ao lado das outras inteligências descobriu que suas tarefas mediam principalmente o raciocínio geral.

De onde vem a ideia

Em Frames of Mind (1983), Gardner propôs sete inteligências. Em Intelligence Reframed (1999), acrescentou a naturalista e sugeriu a existencial como possível nona. Para ele, naturalista é quem reconhece e classifica: caçadores, agricultores, jardineiros — e também quem distingue modelos de carro pelo som do motor. A lista completa das inteligências múltiplas está no nosso guia de tipos de inteligência; as vizinhas mais próximas são a interpessoal e a intrapessoal.

Características e exemplos

  • Distinguir espécies parecidas onde a maioria vê só “um passarinho” ou “uma árvore”.
  • Agrupar pedras, conchas, insetos ou plantas por características que importam, não só por cor ou tamanho.
  • Perceber mudanças no ambiente: uma planta doente, a troca de estação, um bicho agindo de forma estranha.
  • Levar a habilidade para objetos: reconhecer marcas e modelos num relance.

Muitos resumos escolares reduzem a inteligência naturalista a “gostar da natureza”. A definição de Gardner é sobre reconhecer e classificar — dá para adorar trilhas sem saber diferenciar um ipê de uma quaresmeira.

O que o cérebro mostra

Um dos critérios de Gardner é que uma inteligência possa ser afetada isoladamente por lesão cerebral. Para a naturalista, ele citou casos como os descritos por Elizabeth Warrington e Tim Shallice em 1984: quatro pacientes que, depois de uma encefalite por herpes simples, identificavam objetos inanimados, mas não seres vivos nem alimentos. O achado mostra como o cérebro organiza o significado por categorias — não prova um talento separado para a natureza.

É uma inteligência independente? O teste com 200 adultos

Em 2006, Beth Visser, Michael Ashton e Philip Vernon aplicaram dois testes para cada uma das oito inteligências de Gardner em 200 adultos, além de um teste de capacidade mental geral. Os testes naturalistas eram tarefas de classificação: montar grupos lógicos a partir de uma lista de objetos e escolher o diagrama que melhor descreve a relação entre três itens.

  • Mediam inteligência geral: um deles teve a maior carga no fator geral de todo o estudo (0,70 ou mais, como um teste de raciocínio matemático).
  • Não tinham nada em comum além disso: retirado o fator geral, os dois testes quase não se relacionavam. Os autores concluíram que a inteligência naturalista não é um domínio coerente.
  • As pessoas não sabiam avaliá-la em si mesmas: a autoavaliação não se correlacionou com nenhum dos dois testes.

Isso combina com o fator g: as capacidades que Gardner separa tendem a andar juntas. Lynn Waterhouse (2006) concluiu que a teoria não tem apoio empírico suficiente; Gardner e Seana Moran responderam que a crítica entende mal a teoria.

Conhecer a natureza depende de experiência

Douglas Medin e Scott Atran (2004) revisaram pesquisas interculturais sobre como as pessoas pensam plantas e animais e concluíram que resultados obtidos com universitários de sociedades industrializadas muitas vezes não se generalizam — em parte porque esses grupos têm uma experiência com a natureza especialmente pobre. Para desenvolver a habilidade, o que funciona é exposição: aprender bem um grupo (aves, árvores ou insetos da sua região), comparar espécies parecidas e anotar o que observou.

Sobre esta página

Um teste de QI, inclusive o nosso, mede raciocínio com padrões, números e palavras — não conhecimento sobre plantas ou animais. Mas classificar e encontrar padrões, o centro das tarefas naturalistas, é muito parecido com o que os testes de raciocínio pedem. Esta página resume pesquisas publicadas para informação geral; quando só tivemos acesso a um resumo, informamos apenas o que ele diz. Os casos de lesão cerebral aparecem como contexto, e nada aqui avalia qualquer condição de saúde. O teste do IQ Revealed é um teste on-line de raciocínio com 40 itens originais para adultos a partir de 18 anos e não é uma avaliação clínica. O IQ Revealed não é afiliado nem ligado a Howard Gardner ou aos demais pesquisadores, universidades e periódicos citados; os nomes servem só para identificar a pesquisa descrita.

Perguntas frequentes sobre inteligência naturalista

O que é inteligência naturalista?

É a capacidade de reconhecer, diferenciar e classificar seres vivos — plantas, animais e outros elementos da natureza — e, por extensão, outros objetos. Howard Gardner a acrescentou como a oitava inteligência da teoria das inteligências múltiplas no livro Intelligence Reframed (1999).

Quais são exemplos de inteligência naturalista?

Reconhecer pássaros pelo canto, saber quais plantas da horta estão doentes, separar pedras ou conchas por tipo, ou um agricultor que percebe o estado do rebanho. Gardner estendeu a ideia a objetos: quem identifica o modelo de um carro pelo barulho do motor usa a mesma habilidade de classificar.

Quais profissões combinam com a inteligência naturalista?

As listas costumam citar biólogo, botânico, veterinário, agrônomo, guarda-parque, geólogo e paisagista. São exemplos de trabalhos que usam reconhecimento e classificação de seres vivos, não resultados de pesquisa: como não existe medida validada dessa inteligência, nenhum estudo mostra que essas pessoas a tenham em maior grau.

A inteligência naturalista existe mesmo?

A habilidade existe; ser uma inteligência separada é duvidoso. Num estudo de 2006 com 200 adultos, os dois testes naturalistas mediram sobretudo inteligência geral e quase não compartilharam nada além disso — os autores concluíram que ela não forma um domínio coerente próprio.

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