Quanto do cérebro utilizamos? O mito dos 10% explicado
Utilizamos praticamente todo o cérebro, não apenas 10%. Ao longo do dia todas as zonas trabalham, uma lesão em quase qualquer sítio tem consequências e o cérebro gasta cerca de 20% da energia do corpo, embora represente só cerca de 2% do peso. O que é verdade é outra coisa: só uma pequena parte dos neurónios dispara com força ao mesmo tempo, porque cada sinal custa energia. É eficiência, não uma reserva escondida de inteligência.
Como sabemos que usamos o cérebro todo
- Imagiologia. A PET e a ressonância magnética funcional mostram atividade em todo o cérebro; as zonas mais ativas mudam com a tarefa, mas nenhuma fica em silêncio durante um dia normal, nem durante o sono.
- Energia. O cérebro tem cerca de 2% do peso do corpo, mas consome cerca de 20% da energia e, grama a grama, é cerca de dez vezes mais caro do que o músculo.
- Lesões. AVC, tumores e traumatismos em quase qualquer zona deixam algum défice — de movimento, fala, visão, memória ou personalidade.
O fundo de verdade
Em 2003, o neurocientista Peter Lennie estimou o custo de um único impulso no córtex humano e comparou-o com o orçamento energético do córtex: provavelmente menos de 1% dos neurónios corticais pode estar fortemente ativo em simultâneo. É uma questão de momento, não de partes sem uso.
De onde veio o número 10%
O psicólogo William James, de Harvard, escreveu no ensaio The Energies of Men que costumamos aproveitar apenas uma parte da nossa energia mental — sem qualquer percentagem. Em 1929, o almanaque norte-americano World Almanac falou em «dez por cento» da capacidade cerebral, e em 1936 o jornalista Lowell Thomas atribuiu a James, no prefácio de Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie, a ideia de que a pessoa comum desenvolve só dez por cento da sua capacidade mental. A frase atribuída a Einstein não tem fonte documentada. O filme Lucy (2014) levou o mito ainda mais longe — como ficção.
Quem ainda acredita
Num inquérito de 2012 a 242 professores interessados em neurociência, 48% no Reino Unido e 46% nos Países Baixos concordaram com a afirmação; nos Estados Unidos, em 2017, 36% de 3045 pessoas do público em geral. Os mitos do lado esquerdo e direito do cérebro e dos estilos de aprendizagem são igualmente persistentes.
Usar “mais” cérebro aumentaria o QI?
A investigação aponta no sentido contrário. Num estudo de 1988 liderado por Richard Haier, quem tinha resultados mais altos nas Matrizes Progressivas Avançadas de Raven gastava menos glicose no córtex durante a prova; uma revisão de Neubauer e Fink (2009) encontra esta «eficiência neural» sobretudo em tarefas fáceis a moderadas e nas zonas frontais. Veja o que pode mesmo mudar em neuroplasticidade e é possível aumentar o QI?, e outro atalho que não resistiu aos estudos: o efeito Mozart.
Sobre esta página
Esta página é informação geral sobre o cérebro e não constitui aconselhamento médico. O teste do IQ Revealed é um teste de raciocínio online com 40 itens próprios para adultos a partir dos 18 anos; não é uma avaliação clínica e não mede a atividade cerebral — veja como funcionam os testes de QI. O IQ Revealed não está associado à Universidade de Harvard, aos editores do World Almanac ou do livro de Carnegie, aos produtores e distribuidores do filme Lucy, à editora das Matrizes de Raven nem aos investigadores referidos; os nomes servem apenas para identificar as obras e estudos descritos.
Perguntas frequentes sobre o mito dos 10% do cérebro
Quantos por cento do cérebro usamos?
Ao longo do dia, praticamente 100%, mas não tudo ao mesmo tempo. Cada zona tem as suas funções e a atividade sobe e desce conforme o que fazemos. Como cada impulso nervoso gasta energia, só uma pequena parte dos neurónios do córtex pode estar muito ativa no mesmo instante — segundo uma estimativa, menos de 1%.
É verdade que só usamos 10% do cérebro?
Não. Os exames de imagem mostram atividade em todas as regiões, uma lesão em quase qualquer zona provoca algum défice e o cérebro consome cerca de 20% da energia do corpo, embora pese só cerca de 2%.
As pessoas mais inteligentes usam mais o cérebro?
Não no sentido do mito. Num estudo de 1988 com tomografia por emissão de positrões, quem pontuava mais num teste difícil de raciocínio gastava menos glicose no córtex a resolvê-lo. A inteligência tem mais a ver com eficiência.
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