Estilos de aprendizagem: os quatro tipos e o que dizem os estudos

Os estilos de aprendizagem existem como preferência, não como receita de ensino. Os quatro mais citados são visual, auditivo, leitura/escrita e cinestésico. Saber qual é o seu ajuda a pensar na forma como estuda; o que as experiências não confirmam é que ensinar nesse formato faça aprender mais.

Os quatro estilos (modelo VARK)

EstiloFormato preferidoFrase típica
VisualEsquemas, mapas, gráficos«Desenha-me isso»
AuditivoAula, conversa, explicar em voz alta«Explica-me»
Leitura/escritaTexto, listas, apontamentos«Dá-me por escrito»
CinestésicoPrática, exemplos concretos, exercício«Deixa-me experimentar»

O questionário original foi apresentado pelos autores como um «catalisador de reflexão», não como um diagnóstico, e a maioria das pessoas sai dele como perfil misto.

O que acontece quando a ideia é testada

O que está em causa é a hipótese de correspondência: «o ensino resulta melhor quando é dado num formato que corresponde às preferências de quem aprende». Em 2008, Pashler e colegas assinalaram a «grande influência» da ideia no meio educativo e a «indústria próspera» de testes e formações construída à sua volta — e concluíram que uma validação credível exige um desenho experimental muito específico, quase nunca usado.

Rogowsky, Calhoun e Tallal usaram-no em 2015: adultos com preferência auditiva ou visual receberam o mesmo material em audiolivro ou em texto digital, sem diferença estatisticamente significativa nem imediatamente nem duas semanas depois. Husmann e O'Loughlin acompanharam em 2019 426 estudantes de anatomia: a maioria nem sequer estudava como o próprio resultado VARK recomendava, e quem o fazia não tinha melhor nota por isso.

Porque quase toda a gente acredita

Newton e Salvi reuniram em 2020 37 estudos com 15 405 docentes de 18 países: 89,1 % consideravam eficaz adaptar o ensino aos estilos, e entre futuros professores 95,4 %. Não há sinal de recuo ao longo dos anos.

O que fazer em vez disso

  • Autoavaliação — recuperar de memória (fichas, exames antigos, livro fechado) em vez de reler.
  • Prática distribuída — o mesmo tempo repartido por vários dias em vez de concentrado.

Foram as duas técnicas mais bem classificadas por Dunlosky e colegas (2013), porque «beneficiam alunos de idades e capacidades diferentes». E há uma versão da pergunta sobre formato que continua de pé: ajuste o formato à matéria, não à pessoa.

Estilo, tipos de inteligência e QI

São três afirmações diferentes. O estilo é preferência de formato; os tipos de inteligência falam de capacidades; um teste de QI mede algo mais estreito do que ambos e devolve um número na escala de QI.

Limites desta página

Esta página é informativa. Não faz diagnóstico, não é orientação escolar individual e não avalia alunos nem professores.

A IQ Revealed não está associada nem é apoiada pela VARK Learn Limited, por Neil Fleming, por David Kolb ou pelos editores dos questionários aqui referidos. São nomeados para que cada afirmação possa ser seguida até ao trabalho de onde vem. As frases entre aspas vêm dos resumos publicados dos estudos citados.

Perguntas frequentes sobre estilos de aprendizagem

Quais são os quatro estilos de aprendizagem?

Visual, auditivo, leitura/escrita e cinestésico — a classificação VARK, do questionário de Neil Fleming e Coleen Mills (1992). Descrevem o formato preferido de apresentação, não quatro tipos de cérebro, e a maioria de quem responde fica com um perfil misto.

Os estilos de aprendizagem existem mesmo?

As preferências existem; a promessa pedagógica não. O que não resiste à verificação é a hipótese de correspondência: a ideia de que ensinar no formato preferido leva a aprender mais. Pashler, McDaniel, Rohrer e Bjork analisaram as provas em 2008 para a Psychological Science in the Public Interest e consideraram-nas insuficientes, e as experiências bem desenhadas posteriores deram o mesmo resultado.

Então o que funciona para estudar?

Dunlosky e colegas avaliaram dez técnicas de estudo em 2013 e só duas receberam a classificação mais alta: a autoavaliação (recuperar a matéria de memória em vez de reler) e a prática distribuída (dividir o estudo por vários dias). Sublinhar e reler — os hábitos mais comuns — ficaram com utilidade baixa.

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