Inteligência lógico-matemática: o que é e o que diz a investigação

A inteligência lógico-matemática é a capacidade de raciocinar com lógica, trabalhar com números e relações abstratas e investigar problemas de forma sistemática. É uma das sete inteligências originais de Howard Gardner e, de todas, a mais próxima do que os testes de QI medem. Testada diretamente, revelou-se em grande parte inteligência geral com outro nome.

Características e origem

Gardner descreveu-a em 1983, em Frames of Mind, como a inteligência do matemático, do lógico e do cientista, apoiando-se no trabalho de Jean Piaget sobre o desenvolvimento do raciocínio lógico na criança. Sinais comuns: gosto por enigmas numéricos e de lógica, facilidade em ver padrões e regras, vontade de perceber porquê, cálculo mental à vontade, pensamento por etapas e categorias. São exemplos, não um teste. Em Portugal, um exemplo histórico é Pedro Nunes, matemático do século XVI cujo nome ficou ligado ao nónio, a escala que permite medir frações de uma divisão. As restantes inteligências, como a linguística, estão no guia dos tipos de inteligência.

O que mostra a investigação

O teste direto: em 2006, Beth Visser, Michael Ashton e Philip Vernon aplicaram a 200 adultos duas provas por inteligência e um teste de aptidão mental geral (o Wonderlic Personnel Test). Para esta inteligência escolheram uma prova de raciocínio (30 problemas em 10 minutos, em que só se decide que operações são precisas) e uma de rapidez (120 contas simples em quatro minutos). A prova de raciocínio teve uma saturação de 0,70 ou mais no fator comum, o fator g, e a correlação mais alta de todas com o teste de inteligência geral; a de rapidez, apenas 0,20 a 0,39. Sem o g, as duas ainda correlacionavam 0,15 — significativo, mas cerca de metade das provas de vocabulário (0,29). A autoavaliação em matemática estava ligada às duas provas.

A matemática não é linguagem: em 2016, Marie Amalric e Stanislas Dehaene estudaram matemáticos profissionais por ressonância magnética. Afirmações de álgebra, análise, geometria e topologia ativavam uma rede frontal, parietal e temporal inferior nos dois hemisférios e poupavam as áreas da linguagem. Uma revisão de Evelina Fedorenko e Rosemary Varley (2016) descreve pessoas com afasia global, quase sem linguagem, que ainda conseguem somar, subtrair e resolver problemas de lógica.

Conclusão: a aptidão matemática é real e tem um sistema próprio no cérebro, mas uma prova de raciocínio matemático comporta-se como uma prova de inteligência geral, não como uma inteligência independente, como a teoria propõe. A prática melhora o que se pratica; não está demonstrado que jogos de raciocínio aumentem o QI (veja o xadrez torna-nos mais inteligentes?).

Sobre esta página

Os testes de QI captam boa parte desta inteligência (sequências numéricas, raciocínio quantitativo, regras em padrões), mas não o conhecimento matemático nem a competência científica. Esta página resume investigação publicada para informação geral; os dados de 2006 vêm da tese completa da autora. Nada aqui avalia discalculia, dificuldades de aprendizagem ou qualquer doença — essas questões são para um médico, um professor ou um psicólogo escolar. O teste do IQ Revealed é um teste de raciocínio online com 40 itens originais para maiores de 18 anos e não é uma avaliação clínica. O IQ Revealed não tem ligação a Howard Gardner, ao Educational Testing Service (editor das duas provas de aritmética), ao editor do Wonderlic Personnel Test nem aos restantes investigadores, universidades, revistas e publicações citados.

Perguntas frequentes sobre a inteligência lógico-matemática

O que é a inteligência lógico-matemática?

A inteligência lógico-matemática é a capacidade de raciocinar com lógica, trabalhar com números e relações abstratas e investigar problemas de forma sistemática. É uma das sete inteligências originais da teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner, apresentada em Frames of Mind (1983). Os exemplos de Gardner são matemáticos, lógicos e cientistas.

A inteligência lógico-matemática é o mesmo que o QI?

Não é o mesmo, mas está muito perto. No teste mais direto da teoria de Gardner, uma prova de raciocínio aritmético foi uma das duas mais ligadas à inteligência geral. Retirado esse fator geral, as duas provas de aritmética partilhavam pouco (correlação residual de 0,15), metade do que partilhavam as provas de vocabulário.

É possível desenvolver a inteligência lógico-matemática?

O conhecimento e a destreza em matemática melhoram com ensino e prática; o cálculo rápido depende também de treino, memória de trabalho e velocidade. Não há boas provas de que jogos de lógica ou aplicações de treino cerebral aumentem a inteligência geral em si.

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