Esperteza e inteligência prática: o que diz a investigação
Inteligência prática é saber desenrascar-se na vida real; inteligência académica é aprender bem com livros, aulas e exames. A investigação mostra que podem separar-se em competências concretas, mas não confirma o lugar-comum de que o bom aluno é ingénuo na vida.
O estudo de Recife
O exemplo mais citado vem de um país de língua portuguesa. Em 1985, Terezinha Carraher, David Carraher e Analúcia Schliemann estudaram jovens que trabalhavam no comércio de rua em Recife, no Brasil. Nas vendas reais faziam as contas muito melhor do que com os mesmos números apresentados como problemas escolares ou contas soltas — e usavam estratégias diferentes das ensinadas na escola.
A inteligência prática existe?
Na sua teoria triárquica da inteligência, Robert Sternberg coloca a inteligência prática ao lado da analítica e da criativa. A prova principal é o conhecimento tácito, aquilo que raramente se ensina. Em três experiências com 187 pessoas da psicologia académica, 127 da gestão de empresas e 29 gestores bancários, esse conhecimento relacionava-se com o desempenho profissional, mas não com um teste habitual de raciocínio verbal. Numa aldeia do Quénia, o conhecimento prático de 85 adolescentes tinha uma correlação quase nula ou até negativa com a inteligência escolar.
Porque a separação não é tão nítida
O estudo de Ceci e Liker com especialistas em apostas nas corridas de trote, segundo o qual a sua perícia não dependia do QI, foi reexaminado por Detterman e Spry: os dados, dizem, apontam antes para o contrário. Linda Gottfredson concluiu que as provas de uma inteligência prática independente “desmoronam-se” quando examinadas. E em 85 anos de investigação sobre recrutamento (Schmidt e Hunter), as combinações mais válidas partiam todas de um teste de capacidade mental geral (validades de cerca de 0,63 a 0,65). Por trás está o fator g: as capacidades mentais estão correlacionadas.
O que mede um teste de QI
Um teste de QI, incluindo o nosso, mede o lado académico: raciocínio com padrões, números e palavras. Diz pouco sobre a inteligência prática. Outras formas de dividir a inteligência: tipos de inteligência e QE e QI.
Sobre esta página
Esta página resume investigação publicada, para informação geral; quando só pudemos ler o resumo de um estudo, relatamos apenas o que o resumo diz. O teste do IQ Revealed é um teste de raciocínio online com 40 itens próprios para adultos a partir dos 18 anos; não mede a inteligência prática e não é uma avaliação clínica. O IQ Revealed não tem ligação aos investigadores, universidades e revistas citados; os nomes servem apenas para identificar a investigação.
Perguntas frequentes sobre esperteza e inteligência prática
Esperteza é o mesmo que inteligência prática?
Não exatamente. Em Portugal, “esperteza” pode ser elogio (saber desenrascar-se) ou crítica (o chico-esperto que contorna as regras). A inteligência prática da psicologia é a parte neutra: saber resolver problemas reais, ler pessoas e situações, perceber como as coisas funcionam na prática.
Qual é a diferença entre inteligência prática e académica?
A académica aprende-se sobretudo a estudar e brilha em problemas bem definidos com uma resposta certa. A prática aprende-se sobretudo com a experiência e brilha quando as regras não estão escritas. Em inglês diz-se “book smart” e “street smart”.
Pode-se ter as duas?
Sim. Os resultados em provas mentais muito diferentes estão positivamente correlacionados. A investigação mostra apenas que certas competências práticas podem existir sem bons resultados escolares, e vice-versa.
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