Personalidade tipo A e tipo B: traços, risco cardíaco e o que a investigação mostrou

O tipo A descreve um comportamento competitivo, pressionado pelo tempo e virado para o resultado; o tipo B, um estilo mais calmo, flexível e menos ditado pelo relógio. Os rótulos vêm da cardiologia dos anos 1950, não da investigação da personalidade — e a tese inicial, de que o comportamento tipo A causa doença coronária, só resistiu em parte.

Traços do tipo A

  • Competitivo — compara-se com os outros mesmo em coisas pequenas
  • Pressionado pelo tempo — impaciente com filas, atrasos e com quem fala devagar
  • Virado para a realização — metas altas, auto-estima presa ao resultado, culpa ao descansar
  • Propenso à hostilidade — irritação rápida perante obstáculos; é esta a parte que interessa à investigação
  • Multitarefa — come enquanto responde a mensagens, termina as frases dos outros

Traços do tipo B

  • Ritmo constante — trabalha sem cronómetro interior
  • Flexível — adapta-se quando o plano muda
  • À vontade com o tempo aberto — aguenta tarefas sem prazo apertado
  • Equilibrado — demora a irritar-se, reage menos
  • Virado para o processo — gosta do trabalho, não só da meta

De onde veio: dois cardiologistas, 1959

Meyer Friedman e Ray Rosenman, cardiologistas em São Francisco, publicaram em 1959 no Journal of the American Medical Association a associação entre um padrão de comportamento manifesto e achados sanguíneos e cardiovasculares. O Western Collaborative Group Study acompanhou vários milhares de homens: no relatório final aos oito anos e meio (1975, também JAMA), os classificados como tipo A apresentavam cerca do dobro de doença coronária. Em 1981, um painel do National Heart, Lung and Blood Institute declarou o padrão, na revista Circulation, factor de risco independente.

Como era medido — e o que ficou

Não por questionário. O método de referência era a entrevista estruturada: o entrevistador falava de propósito devagar, interrompia e provocava, e classificava a pessoa pelo modo como agia, não apenas pelo que respondia. Os instrumentos de papel, como o Jenkins Activity Survey, vieram depois, e os dois métodos discordavam muitas vezes sobre quem era tipo A. A partir dos anos 1980 as grandes replicações deixaram de encontrar a ligação; a revisão quantitativa de Booth-Kewley e Friedman (1987) considerou o construto global, na melhor das hipóteses, um preditor fraco e inconsistente. Decomposto o padrão, um componente manteve-se de pé: a hostilidade. Raiva crónica, cinismo e antagonismo — não a azáfama nem a ambição — são a parte que as meta-análises posteriores associam ao risco cardiovascular. Daí duas conclusões honestas: trabalhar depressa e com prazos não é, por si só, um perigo documentado para a saúde, e uma letra não é um diagnóstico.

Pode mudar-se de tipo?

O comportamento neste eixo treina-se. O próprio Friedman dirigiu mais tarde programas em que doentes cardíacos praticavam abrandar: pôr-se na fila mais comprida, conduzir na faixa lenta. O temperamento por baixo continua reconhecível; o que vale a pena trabalhar são as partes caras do padrão — a irritação permanente, a incapacidade de descansar — e não a ambição.

Para lá de duas letras

Um modelo de duas categorias abre conversa, mas comprime a personalidade num único eixo. Se as tipologias lhe interessam, os nove tipos do eneagrama dão uma leitura pelas motivações, e o quanto aguentam os códigos de quatro letras examinamos nas 16 personalidades. A personalidade é, aliás, metade do retrato: descreve como tende a agir, enquanto a inteligência emocional e o QI medem capacidade.

Um limite merece ser dito com clareza, porque este tema nasceu num consultório de cardiologia: a IQ Revealed não aplica nem pontua qualquer teste de tipo A, e nada nesta página é uma avaliação de saúde ou conselho médico. As perguntas sobre o seu coração são para um médico, não para um rótulo de personalidade. O nosso teste de personalidade é gratuito e o perfil completo faz parte da subscrição.

A IQ Revealed não tem ligação ao Enneagram Institute, à The Myers-Briggs Company nem a outros editores dos modelos de personalidade aqui referidos, e não aplica nem pontua os seus instrumentos. Os nomes surgem apenas para que os modelos descritos possam ser seguidos até à origem.

Perguntas frequentes sobre o tipo A e o tipo B

O que é a personalidade tipo A?

Um padrão de comportamento feito de competitividade, pressão constante do tempo, forte necessidade de realização e tendência para a impaciência e a hostilidade. Descreve como alguém age sob pressão — um padrão observável, não um traço fixo de carácter.

O que é a personalidade tipo B?

Foi definida originalmente como a ausência do padrão A: ritmo mais calmo, mais paciência, à-vontade com o tempo sem estrutura e frustração mais lenta. Não significa falta de ambição, mas ambição sem pressa crónica.

O tipo A provoca doenças cardíacas?

Não de forma directa. Em 1981, um painel do National Heart, Lung and Blood Institute norte-americano declarou o padrão factor de risco independente para a doença coronária; as replicações posteriores enfraqueceram muito essa conclusão e uma revisão quantitativa de 1987 classificou-o, quando muito, como preditor fraco e inconsistente. Resistiu um componente: a raiva e a hostilidade.

Pode ser-se tipo A e tipo B ao mesmo tempo?

Sim, e é o caso da maioria. A e B são as pontas de um contínuo, não duas caixas: a mesma pessoa é claramente tipo A antes de um prazo e tipo B nas férias. O ambiente também conta — um trabalho sob pressão constante faz sair comportamento tipo A de quase toda a gente.

O modelo A/B ainda é válido cientificamente?

Como atalho do dia-a-dia funciona; como medida, não. A psicologia da personalidade trabalha hoje com modelos de traços contínuos, como os cinco grandes factores, que situam cada pessoa em várias dimensões independentes em vez de a reduzir a uma letra.

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