Matrizes progressivas de Raven: as perguntas de um teste de QI

Em Portugal, quem procura as perguntas de um teste de QI escreve quase sempre o nome do formato: matrizes progressivas de Raven. Esta página começa por aí e descreve depois os restantes tipos de item. O item de matrizes é ao mesmo tempo o mais comum nos testes de inteligência e o único de que as matrizes de Raven são integralmente feitas.

As matrizes progressivas de Raven

O item tem sempre o mesmo desenho: uma grelha de figuras organizada em linhas e colunas, uma célula vazia e seis a oito hipóteses. Cabe descobrir a regra que governa a grelha e deduzir a peça que falta.

A prova foi concebida por John C. Raven e Lionel Penrose em 1936 e publicada no Reino Unido em 1938. É não verbal: nada para ler, nada para saber. Mede inteligência fluida, ou seja, a capacidade de encontrar regularidade em material nunca visto. Foi precisamente com dados deste tipo que se documentou o efeito Flynn, a subida das pontuações de uma geração para outra.

As três versões

  • Standard Progressive Matrices (SPM) — 60 itens em cinco séries, de A a E, com 12 cada, impressas a preto e branco.
  • Coloured Progressive Matrices (CPM) — séries A, Ab e B, para crianças dos 5 aos 11 anos, pessoas idosas e pessoas com limitações cognitivas.
  • Advanced Progressive Matrices (APM) — 48 itens: série I com 12 e série II com 36, para quem está acima da média, onde as SPM deixam de diferenciar.

Dentro de cada série os itens vão do mais fácil ao mais difícil — é o que a palavra progressive descreve.

A mecânica de um item

Três regras repetem-se: adição (mais um elemento em cada passo), rotação (ângulo constante) e sobreposição (duas células combinam-se numa terceira e a parte comum desaparece). A partir da série C actuam frequentemente duas ao mesmo tempo, uma na linha e outra na coluna.

Só uma técnica muda mesmo o resultado: enunciar a regra antes de olhar para as respostas.

Os outros tipos de item

Além das matrizes surgem séries numéricas, analogias verbais — o formato mais dependente da língua e da cultura —, rotação espacial e tarefas de memória de trabalho. Uma bateria completa combina vários: veja como funciona um teste de QI e, para a leitura da pontuação, a escala de QI.

O que um teste online consegue dar

O material original não é publicado livremente: o acesso está ligado a uma qualificação profissional e a edição corrente é o Raven's 2, da Pearson. Uma página que oferece um «teste de Raven grátis» não está a disponibilizar esse instrumento.

Isso não retira valor aos testes de matrizes online. Bem construídos, usam a mesma lógica de item e a mesma estatística e produzem uma estimativa útil. O nosso tem 40 itens de matrizes e é exactamente isso: uma estimativa, não uma avaliação diagnóstica. Sobre o significado da pontuação, veja o que é um bom QI.

O que estas perguntas não medem

Conhecimentos, esforço, motivação, criatividade, à-vontade social ou carácter. As matrizes cobrem de propósito uma faixa estreita e bem delimitada do pensamento, e essa estreiteza é uma opção de método. Uma pontuação descreve uma posição numa distribuição, nunca o valor de uma pessoa.

A IQ Revealed não está associada à Pearson nem a qualquer outra editora das provas mencionadas nesta página, nem conta com o seu apoio ou aprovação. Raven's Progressive Matrices e os nomes das versões são marcas dos respectivos titulares, citadas aqui apenas para fins descritivos.

Perguntas frequentes sobre as matrizes progressivas de Raven

O que são as matrizes progressivas de Raven?

São itens de raciocínio não verbal: uma grelha de figuras à qual falta uma célula e várias hipóteses entre as quais escolher a que respeita a regra. Foram concebidas por John C. Raven e Lionel Penrose em 1936 e publicadas pela primeira vez em 1938. Medem inteligência fluida e não exigem leitura nem conhecimento de uma língua em particular.

Quantos itens têm as matrizes de Raven?

Depende da versão. As Standard Progressive Matrices têm 60 itens repartidos por cinco séries, de A a E, com 12 itens cada. As Coloured Progressive Matrices, destinadas a crianças dos 5 aos 11 anos e a pessoas idosas, são compostas pelas séries A, Ab e B. As Advanced Progressive Matrices, para adolescentes e adultos acima da média, têm 48 itens: a série I com 12 e a série II com 36.

Que tipos de pergunta aparecem num teste de QI?

Os mais frequentes são o raciocínio com matrizes, a conclusão de padrões, as séries numéricas, as analogias verbais, a rotação espacial e as tarefas de memória de trabalho. As provas distinguem-se pela proporção de cada tipo: as matrizes de Raven usam apenas o primeiro, ao passo que uma bateria clínica combina vários.

Como se resolve um item de matrizes?

Enuncie a regra por palavras suas antes de olhar para as opções. Costuma actuar por linha, por coluna ou nas duas direcções ao mesmo tempo: acrescenta-se um elemento em cada passo, a figura roda um ângulo constante, o preenchimento passa de vazio a tracejado, ou duas células sobrepõem-se numa terceira. As opções erradas são construídas para parecerem certas a quem adivinha pelo olhar; formular a regra primeiro retira-lhes o efeito.

É possível fazer o teste de Raven online e gratuitamente?

O original, não. A Pearson, editora actual, restringe o acesso ao material a profissionais qualificados e a edição em vigor chama-se Raven's 2. O que circula como «teste de Raven online» aproveita, na melhor das hipóteses, o formato do item e, na pior, apenas o nome. Um teste de matrizes online bem construído pode dar uma estimativa útil, mas não é o mesmo instrumento.

Treinar aumenta a pontuação?

Aumenta a pontuação, não a capacidade que a prova procura medir. A familiaridade com o formato encurta o tempo de análise e reduz a tensão, pelo que o primeiro contacto com um item de matrizes tende a subestimar o resultado. O treino que vale a pena é nomear a regra antes de responder, não decorar soluções.

Quer ver como se sai nas matrizes?

O nosso teste de QI é gratuito e demora cerca de 25 minutos. O relatório completo — pontuação, percentil e interpretação — faz parte da subscrição. Não substitui uma avaliação clínica.

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