Pensamento crítico: o que é, o currículo português e o QI

O pensamento crítico é o juízo deliberado que se verifica a si próprio: perceber o que diz uma afirmação, que razões a sustentam, quanto valem essas razões e que conclusão permitem realmente. Não é o mesmo que ser inteligente nem o mesmo que duvidar de tudo. É o hábito de verificar uma conclusão antes de a aceitar — incluindo a própria.

Está escrito no currículo português

O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, o documento de referência do currículo nacional, tem uma área de competências chamada «Pensamento crítico e pensamento criativo». Aí escreve-se que as competências desta área exigem observar, identificar, analisar e dar sentido à informação, às experiências e às ideias, e argumentar a partir de diferentes premissas, e que os alunos devem ser capazes de pensar de modo abrangente e em profundidade, com vista à tomada de posição fundamentada. É, quase palavra por palavra, a definição a que a investigação internacional chegou.

A definição em que os especialistas acordaram

Em 1990, o filósofo Peter Facione reuniu para a American Philosophical Association 46 especialistas de filosofia, educação e ciências num estudo Delphi: em várias rondas, cada um respondia, lia os argumentos dos outros e revia a sua posição. O relatório distingue competências de disposições — a inclinação para as usar — e enumera seis competências: interpretação, análise, avaliação, inferência, explicação e autorregulação.

Pensamento crítico e QI

Keith Stanovich e Richard West verificaram em sete estudos que muitos enviesamentos clássicos de raciocínio não se correlacionam com a capacidade cognitiva — ancoragem, efeito de enquadramento, custos irrecuperáveis, entre outros. Em 2012, Heather Butler aplicou a prova de pensamento crítico de Halpern a 133 adultos e estudantes nos EUA e perguntou por acontecimentos reais das suas vidas: pontuações mais altas associavam-se a menos acontecimentos negativos (r = −0,38).

Um teste de QI dá um problema e avisa que existe resposta certa. Na vida ninguém avisa que o texto que está a ler contém um raciocínio falhado. A inteligência é a matéria-prima, mas uma pontuação alta não garante o hábito de a aplicar às próprias convicções — por isso o viés cognitivo também atinge pessoas muito capazes.

Aprende-se?

Sim, modestamente, e sobretudo quando é um objetivo explícito. Philip Abrami e colegas reuniram em 2008 117 estudos com 20 698 participantes: efeito médio g = 0,341; em 2015, com 341 dimensões de efeito, g = 0,30. Resultaram melhor o diálogo, os problemas autênticos e a mentoria.

Âmbito desta página

Esta página é informativa e resume investigação publicada; não é uma avaliação psicológica. O nosso teste de QI mede o desempenho em raciocínio, não o pensamento crítico. O que uma pontuação de QI cobre está explicado em como funcionam os testes de QI.

A IQ Revealed não está associada, apoiada nem ligada à Direção-Geral da Educação, à American Philosophical Association, à American Psychological Association, aos editores da prova de Halpern nem a qualquer universidade, revista ou investigador citado nesta página. Os nomes são citados para que cada afirmação possa ser seguida até à sua fonte.

Perguntas frequentes sobre pensamento crítico

O que é o pensamento crítico?

Pensamento crítico é o juízo deliberado que se verifica a si próprio: interpretar, analisar e avaliar uma informação, retirar dela apenas a conclusão que ela sustenta e saber explicar porquê. A definição vem de um consenso de 1990 a que chegaram, em várias rondas, 46 especialistas reunidos para a American Philosophical Association.

O pensamento crítico está no currículo português?

Sim. O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, da Direção-Geral da Educação, tem uma área de competências chamada «Pensamento crítico e pensamento criativo» e pede que os alunos consigam pensar de forma lógica, observando e analisando informação, experiências ou ideias, e argumentando com vista a uma tomada de posição fundamentada.

Quem pensa criticamente é mais inteligente?

As duas coisas estão ligadas mas não são a mesma. Keith Stanovich e Richard West observaram, em sete estudos, que muitos enviesamentos clássicos de raciocínio não se correlacionam com a capacidade cognitiva. Um estudo de 2017 de Heather Butler e colegas di-lo no título: o pensamento crítico prevê as decisões de vida melhor do que a inteligência.

O pensamento crítico ensina-se?

Sim, de forma modesta e sobretudo quando é ensinado explicitamente. Uma meta-análise de 2015 com 341 dimensões de efeito encontrou uma melhoria média de g = 0,30; a de 2008, com 117 estudos e 20 698 participantes, 0,341.

Medir em vez de estimar

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