Teoria triárquica da inteligência: as três inteligências de Sternberg

A teoria triárquica da inteligência, de Robert Sternberg, afirma que a inteligência tem três componentes: analítico, criativo e prático. Proposta em 1984–85 como alternativa à ideia de uma única inteligência geral medida pelos testes de QI, ela se tornou popular na educação — mas os testes baseados nela tiveram resultados mistos.

As três subteorias

  • Inteligência analítica (subteoria componencial). Os mecanismos do pensamento: os metacomponentes planejam, monitoram e avaliam; os componentes de desempenho executam; os componentes de aquisição de conhecimento selecionam e combinam informações novas e as comparam com as antigas. É o que mais se parece com um teste de QI.
  • Inteligência criativa (subteoria experiencial). Lidar com a novidade e automatizar o que se repete — uma coisa libera recursos para a outra.
  • Inteligência prática (subteoria contextual). Adaptar-se ao ambiente, moldá-lo quando ele não combina com seus valores ou capacidades e, se não der, escolher outro.

Inteligência prática: o exemplo de Recife

Um dos estudos mais citados sobre saber prático é brasileiro. Em 1985, Terezinha Nunes Carraher, David Carraher e Analúcia Schliemann observaram jovens que trabalhavam no comércio de rua em Recife. Eles resolviam contas de compra e venda com estratégias diferentes das ensinadas na escola — e se saíam melhor nos problemas do dia a dia do que em problemas escolares com os mesmos números e operações. O estudo não testou a teoria de Sternberg, mas mostra o tipo de competência que a subteoria contextual tenta descrever.

A teoria também foi aplicada no Brasil: num estudo com 166 alunos do ensino médio que fizeram o Teste das Capacidades Triárquicas de Sternberg, a autora relata o melhor desempenho nas questões analíticas e a maior dificuldade na parte prática.

Como a teoria foi testada — e criticada

Em 2001, um estudo com 3.278 estudantes dos Estados Unidos, da Finlândia e da Espanha encontrou que o modelo triárquico se ajustava aos dados melhor do que uma única inteligência geral, embora os autores descrevam o ajuste como “longe de perfeito”. Brody, porém, reanalisou os dados e defendeu que a teoria do fator g é necessária para entendê-los, e Gottfredson concluiu que a inteligência prática se apoia em poucos estudos, muitas vezes mal documentados.

Mais tarde, Sternberg passou a falar em inteligência bem-sucedida: a capacidade de definir e alcançar metas pessoalmente significativas no próprio contexto cultural, aproveitando pontos fortes e corrigindo ou compensando pontos fracos. A versão ampliada acrescenta uma quarta habilidade, a sabedoria.

Sternberg, Gardner e o QI

Gardner, com as inteligências múltiplas, divide a inteligência por áreas (musical, linguística, espacial…); Sternberg, pelo uso — analisar, criar, aplicar. Os testes de QI modernos se baseiam mais na distinção entre inteligência fluida e cristalizada e medem sobretudo o lado analítico; veja como funcionam os testes de QI.

Sobre esta página

Esta página resume pesquisas publicadas para fins informativos; quando só pudemos ler o resumo de um estudo, relatamos apenas o que o resumo diz. O teste do IQ Revealed é um teste online de raciocínio com 40 itens próprios para maiores de 18 anos: não é um teste triárquico nem uma avaliação clínica. O IQ Revealed não tem vínculo com Robert J. Sternberg nem com os demais pesquisadores, universidades e revistas citados; os nomes servem apenas para identificar as pesquisas descritas.

Perguntas frequentes sobre a teoria triárquica da inteligência

O que é a teoria triárquica da inteligência?

É a teoria do psicólogo Robert Sternberg segundo a qual a inteligência tem três partes: analítica (planejar, resolver e avaliar problemas), criativa (lidar com o novo e automatizar o que vira rotina) e prática (adaptar-se ao ambiente, transformá-lo ou escolher outro). Foi proposta em 1984–85 como alternativa mais ampla a uma única inteligência geral.

Quais são as três inteligências de Sternberg?

Analítica (subteoria componencial), criativa (subteoria experiencial) e prática (subteoria contextual). A teoria não divide as pessoas em três tipos: todos usam as três, em proporções diferentes.

O que é inteligência prática?

Para Sternberg, é a capacidade de se adaptar ao ambiente real, mudá-lo quando ele não serve e, se isso falhar, procurar outro. Costuma ser medida com testes de “conhecimento tácito” — o saber fazer aprendido na prática, não na escola.

Quais são as críticas à teoria triárquica?

Principalmente que as três capacidades não são tão separadas. Nathan Brody argumentou que o fator geral g é necessário para explicar os resultados do teste triárquico, e Linda Gottfredson que as provas de uma inteligência prática distinta “desmoronam” quando examinadas de perto.

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