Sunk cost fallacy: o que é a falácia do custo afundado
A sunk cost fallacy, ou falácia do custo afundado (também chamada de custo irrecuperável), é a tendência de continuar investindo em algo por causa do que já foi investido, e não por causa do que isso vai render daqui para a frente. Dinheiro, tempo e esforço já gastos não voltam, qualquer que seja a decisão. Mesmo assim, eles pesam: terminamos filmes ruins, insistimos em projetos fracassados e seguimos pagando planos que não queremos mais.
A viagem de esqui e os ingressos de teatro
Em 1985, Hal Arkes e Catherine Blumer, da Universidade de Ohio, perguntaram a estudantes qual de duas viagens de esqui no mesmo fim de semana fariam: a de 100 dólares ou a de 50, que esperavam aproveitar mais. Dos 61 estudantes, 33 escolheram a mais cara.
Depois testaram com dinheiro de verdade. Compradores de assinaturas do teatro da universidade receberam, por sorteio, o preço cheio de 15 dólares ou descontos de 2 ou 7 dólares. Quem pagou o preço cheio foi, na primeira metade da temporada, a 4,11 peças em média, contra 3,32 e 3,29 nos grupos com desconto. Na segunda metade, a diferença sumiu.
Um exemplo brasileiro: a banana que volta para casa
Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Denizar Leal, Daniely Tranhago de Queiroz e Roberta Araújo Rodrigues) entrevistaram em 2020 17 produtores de banana que vendem nas Ceasas do estado para entender por que alguns voltam para casa com a produção não vendida. Os produtores relutavam em vender abaixo do preço de custo, e os autores concluíram que os custos já feitos influenciavam a decisão, junto com o medo de perder, um dos pilares da teoria da perspectiva.
Por que é tão difícil largar
- Não desperdiçar: Arkes e Peter Ayton descreveram em 1999 uma regra de “não desperdice” aplicada onde não deveria.
- Perdas pesam mais: largar transforma uma perda no papel em perda certa.
- Otimismo depois de investir: quem já investiu avalia melhor as chances de sucesso do projeto.
- Coerência: abandonar parece admitir um erro; ver também a dissonância cognitiva.
O efeito é tão forte quanto dizem?
Uma meta-análise alemã de 2015 com 98 medições confirmou o efeito, mas mostrou que ele enfraquece com o tempo. Com dinheiro real, ele foi pequeno num jogo de computador (2007), não apareceu no conjunto de um experimento com mensalidades em Amsterdã (2016) e até se inverteu num experimento de investimento (2022).
Ser inteligente protege?
Não de forma mensurável: em 2008, Stanovich e West situaram o efeito entre os vieses sem relação com a capacidade cognitiva. Veja também os vieses cognitivos e o pensamento crítico.
Como escapar
- Pergunte: se eu começasse hoje, escolheria isto?
- Defina antes, por escrito, quando vai parar.
- Calcule o custo de oportunidade.
- Peça a opinião de quem não tomou a decisão original.
Sobre esta página
Esta página resume pesquisas publicadas, para informação geral; não é aconselhamento financeiro, profissional ou de relacionamento. O teste do IQ Revealed é um teste de raciocínio online com 40 itens originais para adultos a partir de 18 anos; ele não mede a falácia do custo afundado nem outros vieses. Veja como funcionam os testes de QI. O IQ Revealed não tem vínculo com os pesquisadores, universidades, revistas ou editoras citados; os nomes servem apenas para identificar os estudos.
Perguntas frequentes sobre a falácia do custo afundado
O que é a sunk cost fallacy (falácia do custo afundado)?
É a tendência de continuar com algo por causa do dinheiro, do tempo ou do esforço que já foram investidos, e não por causa do que continuar vai trazer daqui para a frente. O que já foi gasto não volta, qualquer que seja a decisão, então pela lógica econômica não deveria pesar. Os psicólogos Hal Arkes e Catherine Blumer descreveram o efeito em 1985.
Qual é um exemplo da falácia do custo afundado?
Na pergunta mais famosa de Arkes e Blumer, estudantes tinham ingressos para duas viagens de esqui no mesmo fim de semana: uma de 100 dólares e outra de 50, que eles esperavam aproveitar mais. Só dava para ir a uma e nenhum ingresso podia ser revendido. Dos 61 estudantes, 33 escolheram a viagem mais cara: só 46% ficaram com a que prometia mais diversão. No dia a dia, é assistir até o fim a um filme ruim porque o ingresso já foi pago.
Qual a diferença entre custo afundado e custo de oportunidade?
O custo afundado já foi pago e não pode ser recuperado; é o mesmo em qualquer opção. O custo de oportunidade é o valor da melhor alternativa de que você abre mão, e está no futuro. A falácia costuma dar peso demais ao primeiro e esquecer o segundo.
Pessoas com QI alto caem menos nessa falácia?
Os dados dizem que não. Em sete estudos publicados em 2008, Keith Stanovich e Richard West concluíram que o efeito do custo afundado está entre os vieses clássicos praticamente independentes da capacidade cognitiva. Ter feito cursos de economia também não reduziu o efeito no estudo de 1985. A idade parece pesar mais: uma meta-análise de 2015 concluiu que adultos mais velhos caem menos nele.
Como evitar a falácia do custo afundado?
Faça a pergunta do zero: se eu começasse hoje, sabendo o que sei agora, escolheria isto? Defina por escrito, antes de começar, o que faria você parar. Pergunte o que esse tempo ou dinheiro renderia em outro lugar. E peça a opinião de alguém que não tomou a decisão original. Desistir só porque já se gastou muito é o erro inverso.
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