Pensamento crítico: o que é, as seis habilidades e o QI

Pensamento crítico é o julgamento deliberado e autorregulado: entender o que uma afirmação diz, quais razões a sustentam, quão boas são essas razões e que conclusão elas realmente permitem — e saber explicar esse raciocínio a outra pessoa. Não é o mesmo que ser inteligente, nem o mesmo que duvidar de tudo. É o hábito de conferir uma conclusão antes de aceitá-la — inclusive as suas.

De onde vem a definição

Em 1990, o filósofo Peter Facione reuniu 46 pesquisadores, educadores e especialistas em avaliação para a American Philosophical Association, em um estudo Delphi: várias rodadas em que cada especialista respondia, lia os argumentos dos outros e revisava a própria posição. Cerca de metade vinha da filosofia; os demais, da educação e das ciências.

O chamado Relatório Delphi separou o pensamento crítico em duas partes: habilidades cognitivas e disposições, isto é, a inclinação de usar essas habilidades de fato. Uma pessoa pode ter as habilidades e não ter o hábito.

As seis habilidades do pensamento crítico

  • Interpretação — o que exatamente está sendo afirmado?
  • Análise — qual é o argumento e em que ele se apoia?
  • Avaliação — as fontes são confiáveis e as razões são fortes?
  • Inferência — o que se conclui disso, e que outra explicação caberia?
  • Explicação — eu conseguiria defender essa conclusão diante de alguém cético?
  • Autorregulação — onde é mais provável que eu esteja errado?

Um exemplo cotidiano: a manchete diz que um alimento “reduz pela metade o risco” de uma doença. Reduz de quanto para quanto? Cair de dois em 10 mil para um em 10 mil é “pela metade” — e quase ninguém deveria mudar de hábito por isso. Foi um experimento ou só uma observação de quem já comia esse alimento?

Pensamento crítico e QI não são a mesma coisa

Um teste de QI entrega um problema, avisa que existe uma resposta certa e espera. Na vida real ninguém avisa que o texto que você está lendo contém uma conclusão falha. Perceber isso depende das disposições — e elas não entram na pontuação de um teste de inteligência.

Keith Stanovich e Richard West mediram essa sobreposição em sete estudos e concluíram que muitos vieses clássicos de raciocínio não têm correlação com a capacidade cognitiva — ancoragem, efeito de enquadramento, custo irrecuperável, entre outros. Em 2012, Heather Butler aplicou a Avaliação de Pensamento Crítico de Halpern a 133 adultos e estudantes nos EUA e perguntou sobre eventos reais da vida deles: notas mais altas vinham acompanhadas de menos eventos negativos (r = −0,38). Um estudo de 2017 de Butler e dois colegas diz no próprio título que o pensamento crítico prevê decisões de vida melhor do que a inteligência.

Isso não torna a inteligência irrelevante: sem capacidade de raciocínio não há como avaliar um argumento. O ponto é mais estreito — uma pontuação alta não garante o hábito de usá-la nas próprias crenças. É o mesmo motivo pelo qual o viés cognitivo atinge pessoas muito capazes.

Dá para aprender a pensar criticamente?

Sim, de forma modesta — e principalmente quando o ensino é explícito. Philip Abrami e colegas reuniram em 2008 117 estudos com 20.698 participantes e encontraram um efeito médio de g = 0,341; em 2015, com 341 tamanhos de efeito, o resultado foi g = 0,30, em todos os níveis de ensino. Os ingredientes que mais ajudaram foram diálogo, problemas autênticos e mentoria. Uma meta-análise de 2016 mostrou que a própria graduação melhora bastante o pensamento crítico, mas que programas voltados só para isso não necessariamente acrescentam ganhos duradouros.

Na prática: discuta com quem discorda de você, treine com notícias reais em vez de charadas, dê nome à estrutura (“isto é uma correlação apresentada como causa”) e anote antes o que faria você mudar de ideia.

Escopo desta página

Esta página é educativa e resume pesquisas publicadas; não é uma avaliação psicológica de ninguém. Nosso teste de QI mede desempenho em raciocínio — não mede pensamento crítico. O que uma pontuação de QI cobre e o que não cobre está em como funcionam os testes de QI.

A IQ Revealed não é afiliada, endossada nem ligada à American Philosophical Association, à American Psychological Association, à Pearson (editora do Watson-Glaser), aos editores da Avaliação de Pensamento Crítico de Halpern nem a nenhuma universidade, revista ou pesquisador citado nesta página. Os nomes de testes são marcas de seus titulares e aparecem apenas para descrevê-los.

Perguntas frequentes sobre pensamento crítico

O que é pensamento crítico?

Pensamento crítico é o julgamento deliberado e autorregulado: interpretar, analisar e avaliar uma informação, tirar dela a conclusão que ela realmente sustenta e conseguir explicar por quê. Essa definição vem de um consenso de 1990 em que 46 especialistas, reunidos para a American Philosophical Association, chegaram a um texto comum em várias rodadas.

Quais são as habilidades do pensamento crítico?

O consenso de especialistas lista seis: interpretação, análise, avaliação, inferência, explicação e autorregulação — esta última é a capacidade de verificar e corrigir o próprio raciocínio. Ao lado das habilidades existe a disposição: a tendência de realmente usá-las.

Quem pensa criticamente é mais inteligente?

As duas coisas se relacionam, mas não são a mesma. Keith Stanovich e Richard West observaram, em sete estudos, que muitos vieses clássicos de raciocínio não têm correlação com a capacidade cognitiva. Um estudo de 2017 de Heather Butler e colegas tem um título direto: a capacidade de pensamento crítico prevê decisões de vida melhor do que a inteligência.

Dá para ensinar pensamento crítico?

Sim, de forma modesta e sobretudo quando o ensino é explícito. Uma meta-análise de 2015 com 341 tamanhos de efeito encontrou uma melhora média de g = 0,30; a de 2008, com 117 estudos e 20.698 participantes, encontrou 0,341. Diálogo, problemas reais e mentoria foram os ingredientes mais eficazes.

Um teste de QI mede pensamento crítico?

Não. Um teste de QI mede o desempenho em raciocínio quando a tarefa exige. O pensamento crítico é medido por testes próprios, como o Watson-Glaser ou a Avaliação de Pensamento Crítico de Halpern.

Medir em vez de estimar

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